Fundo/Coleção CM - Clube Militar

Área de identificação

Código de referência

BR RJCM CM

Título

Clube Militar

Data(s)

  • 1887 - 2006 (Produção)

Nível de descrição

Fundo/Coleção

Dimensão e suporte

Documentação textual: 6,11 m (livros e periódicos)

Área de contextualização

Nome do produtor

Biografia

A idéia de criar uma entidade que pudesse aglutinar os militares nasceu de reuniões realizadas na casa do major Serzedelo Correia, no início de junho de 1887. A princípio pensou-se em criar vários clubes nas diversas províncias do Império; contudo, tal iniciativa mostrou-se inviável, decidindo-se, assim, pela instalação de apenas um clube, no Rio de Janeiro, que era, então, Município Neutro da Corte. O Clube Militar foi fundado em 26 de junho de 1887 - em sala cedida pelo Clube Naval - como uma associação civil. Tinha como principais objetivos o estreitamento dos laços de união e solidariedade entre os oficiais das forças armadas (do Exército e da Armada, nome pelo qual era, à época, chamada a Marinha de Guerra); a defesa dos interesses e direitos dos sócios; o incentivo às manifestações cívicas e patrióticas e o interesse pelas questões que ferissem ou pudessem ferir a honra nacional e militar. Sua primeira diretoria foi composta pelo general Deodoro da Fonseca (presidente), que dois anos mais tarde participaria ativamente do movimento de proclamação da República, tornando-se o primeiro presidente do Brasil, e pelos oficiais Custódio de Melo (vice), José Simeão de Oliveira (1º secretário), Marciano Magalhães (2º secretário) e Benjamim Constant (tesoureiro), outro que teve relevante papel no levante republicano. Faziam parte também desta diretoria José Marques Guimarães, Eduardo Wandenkolk e Antônio Sena Madureira que compunham a comissão de imprensa. Com exceção de Custódio de Melo e Wandenkolk, oficiais da Marinha, os demais membros da diretoria eram do Exército. Na segunda reunião do Clube, em 4 de julho, Sena Madureira apresentou os estatutos da instituição. Em estatuto de 1911, o Clube apresentou algumas novidades com relação às suas finalidades: desenvolver o gosto pela técnica, realizando palestras e conferências; manter biblioteca; sala de armas; um alojamento para os sócios seja em trânsito ou em residência permanente; manter restaurante, quando assim fosse possível, e a Revista Militar, quando oportuno. Em 15 de novembro de 1926 era lançado o primeiro número da Revista do Clube Militar. A primeira sede própria foi doada pelo governo federal no período em que Rodrigues Alves esteve na presidência (1902-1906). Localizada na Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), foi inaugurada em 1910. Por um descuido administrativo da associação, o terreno no qual se situava a sua sede voltou a pertencer legalmente a União, situação que só foi solucionada em 1931, por Getúlio Vargas, quando um decreto doou o terreno e o prédio definitivamente ao Clube Militar. Mais tarde, a partir de 1941, uma nova sede seria erguida no mesmo terreno, obra que ficou pronta ao final de 1943. Esta entidade teve participação decisiva em diversos processos políticos da história republicana brasileira, a começar pela participação de muitos de seus sócios na proclamação da República, o que marcou a história do Clube em diversas ocasiões. Por exemplo, durante a presidência de Prudente de Moraes (1894-1898), em 1897, o Clube foi acusado de participar na tentativa de assassinato do presidente e, por isso, foi fechado e teve seu arquivo recolhido à Polícia, sendo reaberto apenas quatro anos depois. Posteriormente, em 1922, outra querela com o Executivo Federal interromperia as atividades de tal associação por mais seis meses, devido às críticas feitas por Hermes da Fonseca - ex-presidente da República e, então, presidente do Clube Militar - ao governo federal por sua atuação truculenta ao longo do processo eleitoral em Pernambuco. Durante a chamada “Era Vargas”, a postura oposicionista do Clube diante de questões políticas importantes, como o reajuste salarial dos oficiais das forças armadas, fez com que o governo federal se preocupasse em manter um controle mais efetivo sobre ele, o que se confirmou durante o Estado Novo, quando o general José Meira de Vasconcelos, elemento de confiança do Governo, ascendeu à presidência da entidade em 1939. Em 1945, a diretoria organizou uma campanha cívica para receber os militares da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que participaram da 2ª Guerra Mundial. No mesmo ano, muitos militares que haviam sido desligados da instituição no período da ditadura varguista foram reintegrados a ela por força da lei de anistia aos presos políticos. Após o fim do Governo Vargas, o Clube destacou-se pela sua participação nos debates acerca da exploração do petróleo no Brasil, ocorrendo dentro da instituição intensos conflitos entre a ala nacionalista das Forças Armadas - para quem o desenvolvimento do Brasil deveria ser realizado sem maiores intervenções do capital estrangeiro – e a ala que estava a favor do estreitamento dos laços entre o Brasil e os Estados Unidos da América, principalmente, no que dizia respeito à exploração do petróleo. Depois de participar ativamente do movimento contra o governo de João Goulart, a partir de 1964, instaurado o regime militar, o Clube continuou a dedicar-se a assuntos de ordem cultural e social - para além das atividades administrativas - realizando com frequência inúmeros eventos em sua sede como exposições de arte e conferências de cunho diverso.

Entidade custodiadora

História arquivística

Procedência

Área de conteúdo e estrutura

Âmbito e conteúdo

Revista do Clube Militar: (1926 – 1937 1939 – 1944/ 1946 – 1964 / 1967 – 2004); Resumo histórico dos 91 anos de existência do Clube Militar (22 volumes / 1887 – 1978); Pastas e Volumes encadernados: Resumo Cronológico do Clube Militar (1887 -1986); Resumo Histórico do Clube Militar (2 volumes); Resumo Cronológico da Histórico do Clube (1887 – 2001); Histórico da Sede Desportiva do Clube Militar; O Clube Militar e o Petróleo Nacional e o Clube Militar na Abolição da Escravatura (todos estes volumes foram escritos pelo Coronel Isnard Pereira de Almeida) e “O Clube Militar” - 1978 (por Gilberto M. Mitchell); dossiê com documentos históricos (Perícia da Carta -1921); livro com histórico do Clube Militar (2004 – 2006). Atas de Assembléias: volume 1 (1911 – 1922); volume 2 (1922 – 1933) e volume 3 (1935 – 1954)

Avaliação, seleção e eliminação

Ingressos adicionais

Sistema de arranjo

Identificado

Área de condições de acesso e uso

Condições de acesso

Condiçoes de reprodução

Mediante pagamento de taxa.

Idioma do material

  • português do Brasil

Script do material

Notas ao idioma e script

Características físicas e requisitos técnicos

Instrumentos de descrição

Área de fontes relacionadas

Existência e localização de originais

Existência e localização de cópias

Unidades de descrição relacionadas

Descrições relacionadas

Nota de publicação

MULLER, Elisa. A revista do Clube Militar e o Pensamento Nacionalista nas Forças Armadas.Dissertação.( Programa de Pós-Graduação em História)– Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1991. PEIXOTO, A. C. "O Clube Militar e os confrontos no seio das Forças Armadas (1945 – 1964)". In.: ROUQUIÉ, A. (Coord.). Os partidos militares no Brasil. Rio de Janeiro: Record, s/d. pp. 71 –113. ALMEIDA, I. P. de. Cronológico do Clube Militar (1887 -1986). __. Resumo Histórico do Clube Militar (2 volumes). __. Resumo Cronológico do Histórico do Clube (1887 – 2001). __. Histórico da Sede Desportiva do Clube Militar. . O Clube Militar e o Petróleo Nacional. . O Clube Militar na Abolição da Escravatura.

Área de notas

Identificador(es) alternativos

Pontos de acesso

Pontos de acesso de assunto

Pontos de acesso local

Ponto de acesso nome

Pontos de acesso de gênero

Área de controle da descrição

Identificador da descrição

Identificador da entidade custodiadora

BR RJCM

Regras ou convenções utilizadas

CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS (Brasil). NOBRADE: Norma brasileira de descrição arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2006. 124 p.

Status

Final

Nível de detalhamento

Completo

Datas de criação, revisão, eliminação

7/8/2008
2009-04-28

Idioma(s)

  • português do Brasil

Sistema(s) de escrita(s)

Fontes

Zona da incorporação

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