Correio da Manhã

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Tipo de entidade

Entidade coletiva

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Correio da Manhã

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Datas de existência

História

A primeira edição do Correio da Manhã data de 15 de junho de 1901, e tinha apenas seis páginas, sendo três ocupadas por anúncios. Com formato standard e periodicidade diária, não trazia manchetes, como boa parte dos jornais de sua época. A primeira página apresentava apenas um título grande e o texto se distribuía por oito colunas, além de não publicar fotogravuras, somente desenhos. Na primeira página vinham assuntos nacionais, acontecimentos de destaque no Rio de Janeiro, críticas, editoriais e troças com a política e a sociedade carioca. Na segunda página figurava o noticiário internacional – que passaria à primeira página nos períodos das grandes guerras – de conteúdo fornecido pela agência de notícias Havas. O diário apresentava ainda as editorias “Seção e Comércio”, “Letras e Artes”, “Dia Social”, “Teatro” e “Dia da Caserna”. A redação era na antiga Rua Moreira César 117 (a atual Rua do Ouvidor), no Centro do Rio. Passou depois pelo Largo da Carioca Nº 13, até chegar a seu endereço definitivo, na Gomes Freire Nº 471. Em 1906 o jornal se tornou o primeiro periódico brasileiro a apresentar um caderno especial aos domingos, agora já com fotogravuras. Em 1929, novas rotativas foram instaladas nas oficinas do Correio da Manhã, possibilitando, no ano de 1933, algumas inovações editoriais, como a criação de manchetes e de seções infantis, femininas, de rádio e de agricultura, entre outras. Em 1959, o jornal passou a ter um segundo caderno em definitivo, e em 1962 edições impressas a cores, como os cadernos de quadrinhos destinados ao público infanto-juvenil. Nos seus melhores momentos, as tiragens diárias do Correio da Manhã foram superiores a 200 mil exemplares. Fundado pelo advogado Edmundo Bittencourt, o Correio da Manhã é considerado hoje um dos mais importantes jornais brasileiros do século XX, introdutor de uma ética própria e de refinamentos textuais que se transformariam na sua marca. O jornal primava por seu caráter independente, liberal e doutrinário, dentro de uma linha editorial combativa. Identificava-se com a classe média do Rio de Janeiro, apresentando aos leitores, muitas vezes, textos de forte carga emocional. O Correio da Manhã sempre se posicionava a favor de medidas modernizadoras e contra as oligarquias que, aliadas às forças governamentais, bloqueavam, em sua opinião, o acesso do povo a alguns de seus direitos fundamentais. O jornal manteve-se fiel a essa linha, inicialmente fazendo oposição ao governo Campos Salles, e mais tarde à ditadura de Getúlio Vargas, ao governo de João Goulart e, por fim, à ditadura civil-militar instaurada em 1964. Por outro lado, posicionou-se favoravelmente ao engajamento brasileiro na Primeira e na Segunda Guerra Mundiais, instando os diferentes governos a se aliarem a causas que considerava patrióticas. O jornal Correio da Manhã chegou a ser fechado, em 31 de agosto de 1924, pelo presidente Artur Bernardes, sob a acusação de estar imprimindo clandestinamente o folheto Cinco de Julho, em apoio aos 18 do Forte. Em 20 de maio de 1925 o periódico foi reaberto, com a direção provisória do senador Moniz Sodré, pois Edmundo Bittencourt e seu filho Paulo estavam presos. Poucos anos depois, Edmundo Bittencourt passava a direção e a propriedade do jornal ao seu filho, Paulo Bittencourt, que assumiu no dia 17 de março de 1929. Em 2 de agosto de 1963, com o falecimento de Paulo Bittencourt, Niomar Moniz Sodré (sua esposa e filha do senador Moniz Sodré) passou a ocupar o cargo de diretora-presidente do jornal. Desde 16 de julho daquele ano, uma grande reforma gráfica já estava em curso. O Correio da Manhã passava a ter menos blocos de texto, privilegiando os espaços em branco (sobretudo no segundo caderno) e emprego maior da fotografia, esta última com legendas mais instigantes e criativas, iniciando uma nova tendência na imprensa carioca. Pouco depois de iniciada essa nova fase, o Correio da Manhã, passaria a sofrer com a interferência do poder militar. No impasse que se seguiu à renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, o Correio da Manhã posicionou-se a favor da posse do vice-presidente, João Goulart, que lideranças militares não queriam aceitar. Pouco tempo depois, o jornal pôs-se contra o governo de João Goulart, por considerar que ele estimulava atitudes que iam contra a Constituição e a ordem pública, como, por exemplo, o suposto estímulo à quebra de hierarquia nas Forças Armadas. Ficaram famosos pelo estilo e contundência seus dois editoriais – “Basta!”, de 31 de março de 1964, e “Fora!”, de 1º de abril – que denunciavam desmandos do governo Goulart e anunciavam sua derrubada pelo golpe civil-militar. O que o Correio da Manhã e outros jornais que apoiaram o golpe esperavam era que o novo presidente da República imposto pelos conspiradores, marechal Humberto Castello Branco, convocasse eleições e entregasse o governo a uma liderança civil, mas os militares, uma vez instalados, preferiram manter-se no poder. O Correio da Manhã começa então a denunciar as arbitrariedades do regime militar, já no dia 2 de abril de 1964, com a crônica política “A Salvação da Pátria”, de Carlos Heitor Cony. Nenhum outro jornal do Rio de Janeiro deu tanto espaço às manifestações de rua contra os governos de Castello Branco e Costa e Silva, quando policiais e estudantes se confrontam em embates violentos nas ruas das principais cidades do país. As posições – tanto do regime quanto do jornal – se radicalizariam após a publicação do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, que autorizava o presidente da República, em caráter excepcional e, portanto, sem apreciação judicial, a: decretar o recesso do Congresso Nacional; intervir nos estados e municípios; cassar mandatos parlamentares; suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer cidadão; decretar o confisco de bens considerados ilícitos; e suspender a garantia do habeas-corpus. Após o AI-5, jornais e jornalistas foram afetados, muitos jornais foram invadidos, depredados ou fechados pela polícia. O Correio da Manhã e o Jornal do Brasil, entre os grandes da imprensa carioca, deixaram de circular, tiveram diretores presos, foram ocupados por forças policiais e militares. Dentre todos – jornais, revistas e emissoras de rádio mais atingidas pela violência instituída –, foi o Correio que pagou o mais alto preço por resistir à ditadura, desaparecendo de circulação. O Correio da Manhã, que já vinha mal financeiramente – apesar de ter 1/3 do mercado de classificados do Rio –, sofreu um bloqueio tão forte por parte do Governo que as empresas, por medo de retaliação, deixaram de anunciar nele. Em 7 de dezembro de 1968, uma bomba de alto poder explosivo foi lançada na agência da Avenida Rio Branco, causando grandes prejuízos. Logo em seguida, no dia 13, foi preso o diretor-superintendente e redator-chefe e, no dia 7 de janeiro de 1969, todos os seus administradores, inclusive o próprio diretor de redação e a diretora-presidente, Niomar Moniz Sodré Bittencourt, que teve seus direitos políticos cassados por dez anos, prazo comum determinado pelos militares para essa punição sem qualquer processo. Foi apreendida toda a edição do jornal daquele dia, antes de ser integralmente impressa. No dia 26 de fevereiro, com suposto fundamento na Lei de Segurança Nacional, foi ordenada a suspensão de circulação do Correio da Manhã por cinco dias.Tantas ocorrências tiveram repercussão desastrosa na vida financeira do jornal. A publicidade caiu assustadoramente, o Correio da Manhã entrou em decadência rapidamente e metade da redação foi dispensada. Em 11 de março de 1969, o jornal entrou com pedido de concordata preventiva, para ser paga no prazo de dois anos. O jornal acabou por ser arrendado, no ano de 1969, à Editora Comunicações Sistemas Gráficos – grupo Ecos –, de propriedade do empreiteiro Maurício Nunes de Alencar. O Correio da Manhã deixou de circular em 8 de junho de 1974, com uma edição de apenas oito páginas e três mil exemplares, reflexo da crise que reduzira de mil para 182 os empregados, todos com salários atrasados. Aos 73 anos, o jornal que atingira tiragens diárias superiores a 200 mil exemplares passou a responder a um processo de falência. Em sua trajetória, o jornal contou com contribuições de personalidades brasileiras do campo político e cultural, como Rui Barbosa, José Veríssimo, Coelho Neto, Artur Azevedo, Afonso Celso, Medeiros e Albuquerque, Evaristo de Morais, Carlos de Laet, Alberto de Oliveira, Antonio Salles, Leão Veloso Filho (que usava o pseudônimo de Gil Vidal), Álvaro Lins, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Lacerda, Aurélio Buarque de Holanda, Franklin de Oliveira, Antônio Callado, Rubem Braga, Antonio Moniz Vianna, Carlos Heitor Cony, Otto Maria Carpeaux, Luis Alberto Bahia, Nelson Rodrigues, Oswaldo Peralva, Fernando Pedreira, Márcio Moreira Alves, Hermano Alves, Paulo Francis, Newton Carlos, Paulo de Castro, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Decio Pignatari, Oliveira Bastos, José outros. Muitos destes últimos eram colaboradores frequentes do denso “4º Caderno”, suplemento dominical do final dos anos 1960, em que se discutiam política nacional e internacional, literatura, artes plásticas e filosofia.

Locais

Status legal

Funções, ocupações e atividades

Mandatos/Fontes de autoridade

Estruturas internas/genealogia

Contexto geral

Área de relacionamento

Área de ponto de acesso

Ocupações

Área de controle

Identificador do registro de autoridade

Identificador da entidade custodiadora

Regras ou convenções utilizadas

Status

Nível de detalhamento

Datas de criação, revisão e obsolescência

Idioma(s)

Sistema(s) de escrita(s)

Bibliografia e outras fontes utilizadas

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