Fundo/Coleção Q0 - Federação Brasileira pelo Progresso Feminino

Área de identificação

Código de referência

BR RJANRIO Q0

Título

Federação Brasileira pelo Progresso Feminino

Data(s)

  • 1881 - 1985 (Produção)

Nível de descrição

Fundo/Coleção

Dimensão e suporte

Bibliográfico(s) -sem especificação - 9 item(ns)
Cartográfico(s) -planta(s) - 2 item(ns)
Iconográfico(s) -caricatura(s) e charge(s) - 2 item(ns)
Iconográfico(s) -cartão(ões)-postal(is) - 33 item(ns)
Iconográfico(s) -cartaz(es) - 2 item(ns)
Iconográfico(s) -desenho(s) - 5 item(ns)
Iconográfico(s) -fotografia(s) - 478 item(ns)
Iconográfico(s) -gravura(s) - 1 item(ns)
Iconográfico(s) -ilustração(ões) - 16 item(ns)
Sonoro(s) -fita(s) audiomagnética(s) - 16 item(ns)
Textual(is) -sem especificação - 25 m

Área de contextualização

Nome do produtor

(1922 - 1924)

História administrativa

Nome do produtor

(1924 - 1986)

História administrativa

A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) foi fundada em 9 de agosto de 1922, no Rio de Janeiro, sob a denominação Federação Brasileira das Ligas pelo Progresso Feminino, conforme registro efetuado junto ao 1º Ofício de Títulos e Documentos do Rio de Janeiro, datado de 25 de agosto do referido ano. Sucedia, então, à Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, também referida como Liga para a Emancipação da Mulher, organizada desde 1919.
De acordo com as atas de reunião, em fevereiro de 1924 a entidade passou a utilizar o nome mais abreviado - Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. A essa altura, a Federação já se apresentava mais fortalecida, tendo incorporado várias associações com finalidades semelhantes. Na reforma dos estatutos em 1927, apresentava uma estrutura associativa mais complexa, sendo seus fins explicitados da seguinte forma: “Coordenar e orientar os esforços da mulher no sentido de elevar-lhe o nível da cultura e tornar-lhe mais eficiente à atividade social, quer na vida doméstica, quer na vida pública, intelectual e política”.
A Federação não tinha vinculação partidária, tendo sido classificada como associação de utilidade pública em 5 de agosto de 1924. Compuseram a primeira diretoria Berta Lutz, Jerônima Mesquita, Stela Guerra Duval, Carmem Portinho e Maria Amália Bastos.
Apesar de ter pretendido alcançar todo o universo feminino no Brasil, a FBPF, desde o seu início, foi dirigida por mulheres oriundas da alta classe média. Além de Berta Lutz (1894-1976), que presidiu a entidade até seu falecimento, fizeram parte da diretoria durante os anos 1930, por exemplo, as seguintes mulheres: Jerônima Mesquita (1880-1972), filha da baronesa do Bonfim, que estudou na França e participou da entidade Damas da Cruz Verde, além de ter sido uma das fundadoras da Maternidade Pró-Matre e da Federação das Bandeirantes do Brasil; Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça, filha do conde de Afonso Celso e neta do visconde de Ouro Preto, jornalista que estudou no Colégio Sion e integrou a Damas da Cruz Verde, sendo também uma das fundadoras da Pró-Matre; Carmen Velasco Portinho, engenheira responsável por obras tais como o Conjunto Habitacional do Pedregulho e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, além de ter criado e dirigido, por 20 anos, a Escola de Desenho Industrial (ESDI); Maria Luiza Bittencourt, advogada e uma das redatoras do Estatuto da Mulher; Orminda Bastos, advogada, jornalista, professora e uma das fundadoras da União Universitária Brasileira.
A FBPF se aproveitava da inserção e do prestígio social dessas mulheres e das sócias mais atuantes, buscando alcançar seus objetivos através do estreitamento das relações com os poderes estabelecidos. Tratava-se de negociar e se aliar a tais poderes, ao invés de contestá-los. Esta atitude, que pode ser interpretada como conservadora, na verdade facilitou conquistas feministas, como o voto.
Para alcançar seus objetivos, as feministas da Federação tinham que enfrentar um duplo desafio. De um lado, estruturar uma entidade de caráter nacional, que almejava ocupar o lugar central de porta-voz das questões feministas no país, e que fosse reconhecida como tal pelas autoridades competentes, possuindo, principalmente, uma estratégia clara, eficiente e efetiva de ter abraçada cada uma de suas reivindicações. Do outro, legitimar-se com a sua base de sustentação – as mulheres –, incentivando-as a participar do movimento.
Era constituída pelos departamentos centrais, estaduais, pelas associações federadas e por sócias individuais, que apoiavam as diretrizes da entidade. Essa configuração possibilitava a atuação da FBPF em todo o país, almejando que as estratégias elaboradas para as conquistas femininas fossem bem sucedidas.
A conquista do direito feminino ao sufrágio – primeiro com o Código Eleitoral de 1932 e, finalmente, com a Carta Constitucional de 1934 –, a aprovação de mulheres em cargos públicos de relevância e a eleição de Berta Lutz como deputada constituinte são exemplos da eficácia dos meios adotados pela FBPF para a consecução de seus objetivos. Várias mulheres, algumas delas membras da Federação, foram eleitas constituintes estaduais.
A atuação da FBPF – conservadora para alguns, libertária para outros – foi inovadora ao permitir que os anseios femininos ultrapassassem a esfera do privado e desembocassem na esfera pública. Com a decretação do Estado Novo em 1937, a Federação teve suas atividades e seu prestígio político enfraquecidos, o que pode ser percebido pela diminuição da quantidade de documentos produzidos e recebidos pela entidade. A entidade continuou a existir, contudo, tendo sido fechada apenas em 1986.

Nome do produtor

(1919 - 1922)

História administrativa

Nome do produtor

(1894 - 1976)

Biografia

Berta Maria Júlia Lutz, sua presidente desde o início. Berta Lutz (1884- 1976) , filha de Amy Fowler e Adolfo Lutz, teve uma atuação relevante no cenário científico e político nacional. Zoóloga, segunda mulher a ingressar no serviço público federal por concurso (Museu Nacional), ainda jovem morou e estudou na Europa, durante o período em que as mulheres europeias lutavam por seus direitos na sociedade. Ao regressar ao Brasil, sua formação, combinada com o ambiente profissional, levou-a a atuar, com grande habilidade, em diferentes frentes simultaneamente, e que contribuíram para o campo da história das ciências, da museologia, da política nacional agrícola e formação técnica e, no caso, da Federação, para o processo feminino de conquista de direitos civis.

Entidade custodiadora

História arquivística

Este fundo recebeu anteriormente o código AP 46.
Teriam ocorrido pelo menos quatro remessas: uma primeira no exercício de 1976 (cf. Relatório de atividades do AN) e as demais em 1985, 1986 e 2006. A de 1976 teria sido por doação de Maria Sabina de Albuquerque, destacando-se dois álbuns fotográficos. Seguiram-se as doações de Ilka Duque Estrada Bastos, então presidente da Federação, em 1985, de Renée Lamounier e Aída Mendonça de Souza, sócias da Federação, em 1986, após a extinção da entidade. Em 2006, uma doação pontual de Maria Luiza Carvalho de Mesquita acrescentou ao fundo um passaporte que pertenceu a Bertha Lutz.
A organização dos documentos iconográficos contou, entre dezembro de 2005 de abril de 2006, com o apoio financeiro do Programa de Apoyo al Desarrollo de Archivos Iberoamericanos (Projeto ADAI) do Ministério da Cultura da Espanha, por meio do qual reuniu-se uma equipe multidisciplinar contratada, sob a supervisão de Sérgio Miranda de Lima, do Arquivo Nacional.
Posteriormente, profissionais do AN, sob a mesma supervisão, procederam à revisão das planilhas, redistribuíram os dossiês iconográficos no quadro de arranjo atual e deram continuidade ao processo de identificação, descrição e indexação dos documentos.
Nominado Memória do Mundo Brasil em outubro de 2018.

Procedência

Albuquerque, Maria Sabina de - 1976 - doação - 3
Federação Brasileira pelo Progresso Feminino - 1985 - doação - 2
Federação Brasileira pelo Progresso Feminino - 1986 - doação - 4
Mesquita, Maria Luiza de Carvalho - 2006 - doação - 13

Área de conteúdo e estrutura

Âmbito e conteúdo

Documentos textuais: Estatutos, livros de atas, relação de filiados, registro de sócios, circulares, balanços, livros-caixa, normas, mensagens, correspondência, discursos, entrevistas, ações da Federação emprol da conquista do voto feminino e da emancipação da mulher na área educacional e profissional. Eventos como congressos, assembleias e conferências feministas e internacionais. Atuação de Berta Maria Júlia Lutz como uma das pioneiras na defesa dos direitos da mulher, como pesquisadora do Museu Nacional e na vida privada. Sufragistas brasileiras e estrangeiras e homens públicos envolvidos com a causa do movimento.
Documentos iconográficos: ações da Federação em prol da conquista do voto feminino e da emancipação da mulher na área educacional e profissional. Eventos como congressos, assembleas e conferências feministas e internacionais. Atuação de Berta Maria Júlia Lutz como uma das pioneiras na defesa dos direitos da mulher, como pesquisadora do Museu Nacional e na vida privada. Sufragistas brasileiras e estrangeiras e homens públicos envolvidos com a causa do movimento.

Avaliação, seleção e temporalidade

Ingressos adicionais

Sistema de arranjo

Organizado totalmente

Organização
Acervo organizado em seções, subseções, séries por assunto e subséries por gêneros documentais.
Documentos iconográficos integram subseções das seções Administração (ADM) e Berta Lutz (BLZ).

Área de condições de acesso e uso

Condições de acesso

Com restrição - Acessível por meio eletrônico
Com restrição - Acessível apenas presencialmente

Condiçoes de reprodução

Idioma do material

  • português do Brasil
  • alemão
  • árabe
  • espanhol
  • inglês
  • italiano
  • francês
  • holandês
  • japonês
  • russo

Script do material

Notas ao idioma e script

Características físicas e requisitos técnicos

Instrumentos de pesquisa

ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Catálogo dos documentos cartográficos dos fundos privados Afonso Pena, Afonso Pena Júnior, Deoclécio Leite de Macedo, Família Bicalho, Família Pires de Carvalho e Albuquerque, Família Werneck, Federação Bras. pelo Progresso Feminino, Floriano Peixoto, Góes Monteiro, Item Documental, Joaquim C. da Silva, Luis Mendes da Silva, Milton de Mendonça Teixeira, Orlando Guerreiro de Castro, Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão, Virgílio Várzea. Rio de Janeiro, 2008. 56 p. - Não impressos
ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Relação de caixas do fundo Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Rio de Janeiro, [19--?]. 90 p. dat. (obsoleto) - Não impressos

Área de fontes relacionadas

Existência e localização de originais

Existência e localização de cópias

Na Instituição
mídia digital -1 compact-disc (correspondente às fitas audiomagnéticas em rolo)
mídia digital -documentos iconográficos

Unidades de descrição relacionadas

Outros Detentores
Arquivo Histórico do Itamarati -Rio de Janeiro
Câmara dos Deputados (Brasil). Centro de Documentação e Informação
Universidade Estadual de Campinas (SP). Centro de Memória - -Adolpho Gordo
Museu Nacional (Brasil) - -Bertha Lutz

Descrições relacionadas

Área de notas

Nota

Data
Datas-limite do fundo foram ampliadas após conclusão do trabalho com documentos iconográficos, de 1902-1979 para 1900-1981 (4/11/2014). Data de produção novamente alterada após conclusão da descrição dos documentos textuais de 1900-1981 para 1881-1985 (02/02/2018).

Nota

Dimensões
Informação sobre diapositivos (204) foi corrigida e substituída por diferentes categorias de documentos iconográficos (4/11/2014). Dimensões textuais corrigidas de 64,61m para 25m (02/02/2018).

Nota

Responsável da descrição
Debora Pereira Crespo
Mara Luci Silva de Araujo da Silva
Maria Lucia Cerutti Miguel
Ramon Jorge Henrique

Nota

Unidade Custodiadora
Coordenação de Documentos Audiovisuais e Cartográficos - CODAC
Coordenação de Documentos Escritos - CODES

Identificador(es) alternativos

Pontos de acesso

Ponto de acesso - assunto

Pontos de acesso - local

Pontos de acesso - gênero

Área de controle da descrição

Identificador da descrição

Identificador da entidade custodiadora

BR RJANRIO

Regras ou convenções utilizadas

Status

Final

Nível de detalhamento

Completo

Datas de criação, revisão, eliminação

Idioma(s)

  • português do Brasil

Sistema(s) de escrita(s)

Bibliografia e outras fontes utilizadas

ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Relatório das atividades no exercício de 1976. MAN: Mensário do Arquivo Nacional, ano 8, n. 2, p. 1-75, fev. 1977. -Impressos, em periódicos

Nota do arquivista

Documentos iconográficos:
Supervisão AN (2005-2014) - Sergio Miranda de Lima
Equipe ADAI contratada (2005-2006) - Débora de Almeida Rodrigues (museóloga), Ivana Medeiros (historiadora), Maurício de Almeida Mattos (arquivista), Renato Vilela Oliveira de Souza (historiador) e Ruth Peixoto Gigante (auxiliar de nível médio).
Profissionais AN (2007-2014) - Maria Lúcia Cerutti Miguel e Ramon Jorge Henrique (Arquivo Nacional).

Documentos sonoros:
Almerício Santos de Souza, Carlos Eduardo Marconi de Carvalho, Elisabeth Chaffim Martins, Mara Luci Silva de Araújo da Silva, Nei Inacio da Silveira, Pablo Mello Ferraz e Silva.

Documentos textuais:
Equipe técnica – Aline Camargo Torres, Ana Lúcia Jatahy Messeder, Antônio Henrique Campello de Sousa Dias, Beatriz Moreira Monteiro, Carolina de Oliveira, Leonardo Augusto Silva Fontes, Marcus Vinicius Pereira Alves, Mariza Ferreira de Santana; Rodrigo Cavaliere Mourelle, Vera Lúcia Miranda Faillace;
Estagiários – Andrea Ferraz, Camila Belarmino, Caroline Schuler, Daniel Brasil, Diego Vieira da Silva, Gabriel Silva Franco, Graciele Araújo da Silva, Hugo Pinheiro Pacheco, Jefferson Espíndola, Mariana Gonçalves, Matheus Ferreira Fonseca, Matheus Martinelli Galhardo Moreira Dias, Rafaela Machado, Rosimar Moreira Lima, Sanger Nogueira, Úrsula Jones.

Zona da incorporação